sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Que venha 2011!





Esse ano não foi tão ruim. É que na verdade ele foi mais pesado e trágico que os outros. Mudei radicalmente o meu ritmo de vida, dilacerei meu coração por diversas vezes,chorei por alguns e outros tantos eu os fiz chorar. E tudo isso pra que? Pra me mostrar de onde vim e o que ainda posso ser, mas seguindo um outro caminho.

Quando eu era criança, as pessoas falavam muito em humildade. Pra mim, ser humilde era ser pobre ou ajudar as outras pessoas. Estava errada. Durante muito tempo, esse era meu conceito de humildade. Grande engano. Assim, esse ano foi pra me mostrar o verdadeiro sentido da palavra, que é muito mais abstrata que se pode imaginar.
Não vou conseguir explicar, mas senti que tiraram minhas calças e me deram umas boas palmadas na bunda. - Ponha-se no seu lugar, garotinha! Ainda não é absolutamente nada pra agir assim! Prontamente baixei muita cabeça e entendi o que era ser humilde.

Foi um grande passo para meu crescimento pessoal e profissional também. Não adianta querer começar a casa pelo teto, temos que começar pela fundação dela. Aprendi de uma forma sádica. Passei por um período depressivo, isolado, onde a única coisa que me deixava feliz era ir para o cursinho todos os dias. Aquilo de verdade me deixava viva, porque todos lá eram mais novos que eu, e todos tinham sonhos, assim que eu também já tive, mas adormeceu com tantos entraves que viva impôs.

Então, pensando bem, esse ano não foi tão ruim assim, ele apenas foi o começo de tudo!

sábado, 18 de dezembro de 2010

O último ato.




Meu querido, minha jornada em Macapá está chegando ao fim. Como foi planejado, só vim pra cá pra estudar para o enem e voltar para São Paulo. Macapá, pra mim, foi um mergulho nas verdades de Deus. Reconciliei-me com minha família, reestruturei meus planos de vida e agora estou renovada numa nova proposta. Não posso tomar mais decisões sem perguntar ao Pai o que Ele deseja. Como disse antes, minha vida não pertence mais a mim, mas sim a Ele.Saiba que, de onde eu estiver, sempre estarei orando por você, querido que me trouxe tantas alegrias. Que de tão belo, às vezes arranhava as pessoas com seus espinhos invisíveis. Quero que sejas muito feliz no caminho que vier a escolher. Quantas vezes pedi pra Deus para que nós, algum dia, pudéssemos formar uma família. Os dias mais felizes da minha vida foram quando dividimos a pipoca, coca cola, a caixinha de Bis, a conta de luz e do supermercado. Coisas simples que se tornaram megas.Vou casar um dia, ter filhos, uma casa com cachorros na varanda. E quando eu olhar o sorriso dos meus filhos, vou me permitir imaginar como seria se eles também fossem seus.
Já se passaram dez anos que nos encontramos pela primeira vez, e pode passar mais dez e mais dez e mais dez. Serás o sentimento mais divino( depois do de Deus...) que já habitou por mim.

Por favor, não responda a esse e-mail. Eu precisava te escrever isso para partir em paz. Preciso esvaziar para encher de novo.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Domingo no parque da minha mente




A televisão dá motivos de sobra para ser amada e odiada. Com sua programação carregada de erotismo, preconceito mascarado e opinião tendenciosa, ainda é o mais democrático veículo de comunicação. Mas essa “manipulação de massa” é muito mais complexa do que se imagina. No back stage, existem manobras de mercado que quase ninguém percebe. Quase ninguém.

Não sei se foi o efeito do álcool ainda no meu corpo, mas enquanto falava com um amigo pelo Facebook, a TV de casa estava ligada no Faustão. Com preguiça até de pensar, nem cogitei a possibilidade de trocar de canal. De repente , ex gordo chama: - Com vocês, Restart! Meu Deus, meu domingo não poderia ser pior. E o Faustão fazendo perguntas sobre família, perguntando nome dos pais da mulecada...enfim! Mas só saí do meu estado de demência alcoólica quando a banda tocou Paralamas do sucesso, dando uma roupagem, no mínimo, duvidosa.

Bem, vou tentar explicar a origem de tal pensamento profundo. Essa banda vem sendo constantemente bombardeada de críticas não muito amáveis por uma parte da mídia brasileira. Por serem muito novos, pelo estilo de suas roupas – que são mais suspeitas ainda – e pelas letras que até uma criança de dez anos faria. Mas outra parte exalta essa banda porque eles vendem. Ponto. Vendem roupas, cd’s, acessório e dá audiência.

Voltando para o Faustão de onde se ouvia a versão de Óculos, comecei a viajar no esquema montado pela emissora junto com a assessoria de comunicação que agencia a banda para tentar pintar uma imagem mais adulta, mais rock in roll. Mostrar que eles sabem improvisar, fazer um cover, ou seja, adquirir respeito. É claro que a música tinha sido ensaiada na passagem de som, não foi escolhida aleatoriamente como queriam que parecesse.

A mesma coisa aconteceu com a Malu Magalhães. Com sua postura “estou no mundo da lua e não vou descer tão cedo”, Malu enfrentou as chicotadas da imprensa especializada do mesmo jeito, no mundo da lua. O que apenas piorou depois que ela assumiu o namoro com Marcelo Camelo. Na tentativa da gravadora reciclar a imagem da cantora, o que aconteceu foi um pico de estresse por parte do apresentador, o mesmo no caso, que não agüentou a infantilidade da moça ao responder uma pergunta com muito estrelismo.

Essa parceria entre gravadora e emissora de TV sempre existiu. O problema é o produto que eles querem que nós enfiemos goela a baixos e que muita gente que forma opinião no país também não aceita. Por que não é só vender. Se isso é representante do rock atual, o que virá daqui a vinte anos? E pra finalizar, o Faustão ainda deu um disco de platina para os moleques, número que muita gente que tem muito mais tempo de estrada e talento não consegue mais alcançar.

Mesmo com minha preguiça gigante, preferi começar a ler Izabel Allende a ter que ver TV dia de domingo.
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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Professor: profissão perigo!




Um professor foi morto a facadas no campus do Instituto Metodista Izabela Hendrix, em Belo Horizonte, pelo próprio aluno, o estudante Amilton Loyola Caires. O crime aconteceu ontem nos corredores do Instituto. Após receber mais uma nota baixa, Amilton golpeou o professor e fugiu em uma moto. O rapaz foi preso em casa nessa madrugada sem oferecer resistência.

Quando imaginamos certas profissões como servente de arranha-céu com seus andaimes limpando os vidros, ou mecânico do metrô de São Paulo, ou técnico de antenas de estação de TV, não imaginamos que professor passou a ser também uma profissão perigosa. O que era para ser a representação da família na escola, agora é alvo fácil para alunos desequilibrados e usuários de drogas, como é o caso de Amilton.

Na minha época de ensino fundamental, meus professores eram mais que professores, eram meus amigos. Por mais hiperativa que eu fosse, respeitava todos eles, e acatava sem responder, todas as suas ordens. Como fui criada pela minha avó, minha educação veio dos antepassados nordestinos. Aquela coisa rígida, sempre respeitando os mais velhos. Mesmo nas ocasiões onde eu sabia que eles estavam sendo injustos, eu me botava no meu lugar de aluna. E eu não nunca vi colegas de classe aumentar o tom de voz pra qualquer professor.

Hoje os pais têm receio de serem enérgicos com os filhos achando que vai torná-los revoltados ou traumatizados. Por que coisas que já existiam tomam outra denominação na linguagem de especialistas em educação. O resultado é a multiplicação de adolescentes sem regras e com condutas marginais. Aí entra uma série de questões bem complexas, como a maioridade penal, que atualmente é de 18 anos. E tudo poderia ser evitado através de uma educação familiar equilibrada.

A sensação que existe hoje em dia nas salas de aula é de medo e revolta por parte dos professores, que além de serem pessimamente remunerados, precisam, muitas vezes, se fazer de surdos e cegos para atitudes diante da classe.

O professor de Belo Horizonte deixou mulher e filhos.

sábado, 4 de dezembro de 2010

A arte de transformar um bom livro em um ótimo filme




Com certeza você já esteve numa roda de amigos onde o assunto era livros que se transformaram em roteiros para cinema. Aposto que sim. E sempre cai naquela velha discussão: o livro é melhor que o filme. Verdade. Em alguns casos, como a Bússola de Ouro, era melhor não ter feito filme algum.

A grande sacana de transformar livro em roteiro não é tentar passar todo o conteúdo do livro para as telas, até porque é impossível. Mas usar dos recursos que o cinema possui para suprir essa deficiência. Até porque são linguagens diferentes. Caso clássico é a saga de Hannibal Lecter. Emplacaram um grande vilão com a atuação de Anthony Hopkins em O Silêncio do Inocentes, juntamente com Judie Foster. É escolher grandes atores, um bom diretor de fotografia, uma trilha sonora impactante, um distribuidor empenhado e, principalmente um bom roteirista.

Mas sorte para reunir todos os elementos necessários para fazer um filme a partir do livro é para poucos. Código Davinci, megaseller de Dan Brown, não fez o mesmo sucesso nas telas como fez nas livrarias. Havia falhas visíveis no roteiro, não sendo totalmente fiel, incluindo cenas no filme que não estavam no livro e vice versa. Infelizmente Tom Hanks e Audrey Tautou não seguraram o thriller. Prova de que um ator bem pago e um livro bem vendido não fazem o sucesso de um filme.

Melhor quando o autor já escreve seus livros pensando nas telas dos cinemas. Como John Grishan, por exemplo. Famoso por tramas jurídicas, Grishan já emplacou grandes sucessos como O dossiê Pelicano, Tempo de Matar e O Júri. Um texto seco, sem grandes descrições, direto ao ponto. No linguajar futebolístico: redondo para o roteirista fazer o gol.

Agora um casamento feliz mesmo é Harry Potter, onde os fãs esperam o filme com a mesma intensidade quando esperam o livro. Milhares de pessoas lotam as salas de exibição para confirmar aquilo que já leram no último lançamento da livraria. A equipe conseguiu manter os mesmo atores principais desde o início, com ótima fotografia, efeitos especiais impecáveis e um roteiro digno de Oscar. Nesse caso, a discussão não saber se o filme foi fidedigno ou não, mas sim qual foi a melhor montagem até agora.

E a velha briga nas rodas de amigos vai continuar, mesmo que seja um Harry Potter da vida. Por que nunca o filme vai conseguir oferecer com riqueza de detalhes aquilo que lemos nos livros. E sempre haverá divergências quanto à qualidade dos mesmos. Ainda bem, pelo menos vai ter assunto descente para debater um dia inteiro.

Dica de livros que viraram filme:
- O príncipe das Marés - Pat Conroy
- Lolita - Vladimir Nabokov
- Memórias de uma gueixa – Arthur Golden
- Os Homens que não amavam as mulheres – Stieg Larsson
- Cidade de Deus – Paulo Lins
- Abril despedaçado – Ismail Kadaré
- Silêncio dos Inocentes - Thomas Harris
- BrokeBack Mountain - Annie Proulx
- A lista de Schindler - Thomas Keneally
- Caçador de Pipas – Kaled Housseini

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Códigos de guerra de adolescentes conectados




Uma vez li a conversa de MSN da minha irmã adolescente. Tinha mais códigos que as cartas dos japoneses na Segunda Guerra Mundial. Parêntese e colchete pra cima significam sorriso, e para baixo significam tristeza, e os dois pontos fazem o olhinho do sorriso ou do desânimo, por exemplo. Esse é fácil. Daí por diante ficou mais difícil decifrar o que estava escrito. Era x no lugar do olho, esse símbolo < que eu não sei o nome seguido de um 3, vários símbolos de coração, carinhas com olhinhos fechados, bocas fazendo biquinho... Tudo isso para não serem rastreados nas conversas.

Fiquei intrigada com s2. Que porra é essa de s2? Era o símbolo que eu mais via nos scraps, nos coments e nos recados do celular dela. Na minha época de adolescente, não existiam esses códigos. Talvez porque o celular e a internet ainda não tinham se popularizado. Meu primeiro celular nem mandava mensagem de texto, se bem me lembro.

Continuei lendo – ou tentando – as mensagens que chegavam a todo o momento nas janelas do MSN. Coisas do tipo: ;@ ;x ... Eita, meu Deus, minha irmãzinha está metida com uma facção criminosa! Não sabia se isso era uma frase, um pedido de socorro, ou apenas combinando um horário no shopping sábado à noite. Mas era preocupante.

É comum nas guerras as mensagens serem mandadas em códigos. Hollywood tem vários filmes que falam dessa codificação. Uma mente Brilhante e Códigos de Guerra retratam bem essa coisa de decifrar mensagens através de símbolos. Assim começou minha Odisseia para descobrir o que minha irmã de 14 anos estava planejando naqueles códigos. Isso foi mais simples do que eu imaginava. Na janela do MSN tem um smile, aquela carinha amarela com um sorriso. Ao abri-la, aparecem várias outros smiles com significados diferentes. Ao colocar o cursor em cima das carinhas, percebi que elas tinham códigos, como os que eu via no MSN dela. O símbolo ;@ significa que a pessoa está furiosa e o ;x significa que o plano não deu certo, ou mamãe não deixou eu ir ao cinema hoje ou coisa do tipo.

O fato é que a tecnologia trouxe para a Língua Portuguesa um novo jeito de comunicação, de acordo com a velocidade das informações. O internetês é tão usado por essa geração que vários educadores já demonstram preocupação com relação à qualidade desses futuros profissionais. Velhos instrumentos, como o livro, por exemplos, tornam-se mais distantes do grande público pelo fato de que na rede mundial as informações vêm de uma maneira bastante condensada. Mas o que, por enquanto, me deixou aliviada, foi saber que minha irmã é apenas uma adolescente que escuta Restart e troca de esmalte todos os dias. ;) >**<

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Crise na CEA, crise no bolso do amapaense



O que Manoel Souza e Francisca Pedroso tem em comum? Suas contas de energia do mês de Outubro tiveram um aumento exorbitante em relação aos dois meses anteriores. A conta de Manuel, que nunca passou de R$90,00, pulou para R$140,00. Já a conta de Francisca ficava em torno de R$220,00, mas no último mês subiu para R$456,00. E não adianta pedir revisão da conta ou reparos no contador de luz, a redução do valor total é mínima.

Há vários anos a estatal vêm amargando uma crise financeira que gira em torno de R$1 bilhão e meio. Num ambiente de trabalho cheio de incertezas e sem rumo, funcionários já fizeram até paralisação para reivindicar uma posição dos órgãos responsáveis com relação ao destino da empresa.

Bem, mas o que o seu Manoel e a dona Francisca têm a ver com isso? Esses acréscimos nas contas de luz ajudam a equilibrar os gastos da própria empresa. De acordo com um funcionário de dentro da CEA, é comum ter aumentos “estranhos” em contas de luz no fim do ano. O que na verdade, isso se caracteriza como roubo.

A solução proposta por algumas lideranças do Estado seria repassar a CEA para as mãos da União. Assim, o governo federal assumiria a crise e reduziria gastos. Por outro lado, a casa deixaria de ser curral eleitoral no qual mantém políticos conhecidos em cargos públicos.

Dona Francisca agora pensa em decorar a casa para o Natal, mas sem esperar sobressaltos na próxima conta. Já Seu Manoel espera comprar um porco bem gordo para passar o natal com os netos, isso se a CEA não resolver meter a mão no seu bolso novamente.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Próxima parada: América Latina



O primeiro grande festival de rock que o Brasil acompanhou eufórico foi o Rock In Rio de 1985. Grandes bandas como Queen, AC/DC, Scorpions, Whitesnake, Yes e Nina Hagen, desembarcaram no país como deuses que descem do Olímpio. De lá pra cá, entramos no circuito mundial de mega produções. Claro, meio a conta gotas.

Até 1985, fazer show na América Latina era quase impensável para bandas famosas. Era mais negócio fazer Europa, Japão e Oceania. Mas os tempos mudaram, muitas bandas enceraram os trabalhos, outras surgiram com uma nova proposta e nova roupagem para o rock. E assim o ciclo vai se perpetuando. Pinba, eram nessas bandas esfaceladas que eu queria chegar.

Os anos 90 acompanharam uma reviravolta no cenário do rock mundial. Nascia o Grunge, filhote do Punk, com seus três acordes e muuuuito barulho. Nirvana, Alice in Chans, Pearl Jam, inundavam as rádios com seus primeiros sucessos. Do outro lado da gangorra, várias bandas davam adeus ao estrelato. Ou por excesso de droga, por brigas de egos ou falta de saco mesmo. Aqui no Brasil também aconteceu esse fenômeno. RPM, Ira!, Plebe Rude, Capital Inicial, Titãs, Barão Vermelho e Engenheiros do Hawai praticamente não existiam mais em meados da década de 90. Mas graças a MTV e seus acústicos, essas bandas tomaram uma bomba de Oxigênio e ainda estão na ativa até hoje.

Bem, uma hora o dinheiro acaba, o sucesso fica mais distante, as regalias já não existem mais, e a vontade de fazer rock surge como uma terapia para aqueles que só sabem tirar som. Não dá mais pra ficar em casa coçando e vivendo de direitos autorais. Com a internet, isso não é mais opção de vida.


Começa a corrida de shows. Depois de anos sem tocar, várias bandas ressurgem e já engatam turnês. Sua próxima parada? A América Latina. Nomes que dificilmente se arriscariam a vir pra cá a não ser no lombo de um festival, todo ano agora dão as caras por aqui. Alice Cooper já tem acento cativo nos aviões que desembarcam no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. O Rush já conhece todos os garçons do Restaurante Rubayat, no bairro dos Jardins, na capital paulista. Um exemplo recente é o The Cranberries. Deram uma pausa de sete anos, e Novembro de 2009 resolveram voltar a tocar juntos. Nunca tinham vindo ao Brasil, e em Outubro desembarcaram novamente para mais uma sequência de show, sendo que a primeira rolou no mês de janeiro, em São Paulo e no Rio.


Outros nomes como A-Ha, The Police, Scorpions, Jethro Tull, Nazareth já deram o ar da sua graça. E agora Paul McCartney, que depois de dois divórcios que lhe levou até a cueca, resolveu fazer uma turnê. Parada certa: América Latina. Mas você pensa que achamos isso ruim? Imagina. Estamos de braços abertos para curar a carência desses rockers, encher seu bolso de dinheiro e poder morrer em paz com a lembrança dos shows das nossas vidas.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Devaneios de uma Geminiana sobre o amor




O que é viver sem sofrer de amor? Frase muito clichê, mas super atual. A ânsia de ser feliz, de ser amado, compreendido e aceito, faz com que corramos o risco de sofrer. Com um toque novelesco e hollywoodiano, é assim que todos nós encaramos esse tal de amor.

Na última semana fui testemunha ocular de amigos que estão sofrendo de amor. Alguns bem silenciosamente, outros necessitando platéia, outros se consolando em uma mesa de bar e outros com as três características. Seres fortes que foram derrubados por esse sentimento quase santo, porém diabólico. Pessoas que por alguma razão estavam felizes e, de repente, não estão mais. Quando foi que tudo mudou? O que aconteceu? É, meu amigo, na maioria das vezes não se sabe mesmo o que aconteceu, e quando sabe geralmente as pessoas se eximam da culpa. Outro clichê: no amor não existem culpados, mas sim a nossa velha incapacidade de percebermos nossos delitos. O ser humano acha mais confortável responsabilizar o outro pelo fracasso.

Eu não entendo esse fascínio em estar com alguém, dividir o espaço com alguém. Talvez eu esteja reclusa nesse momento da minha vida, sem saco mesmo pra focar nesse tipo de coisa. Não que eu nunca tenha sofrido por amor. Claro que já. Mas foi apenas uma vez, e sofro até hoje. Eu já me acostumei com essa dor que me consome a dez anos. E depois dela não me permiti mais passar por essas situações.

Bem, mas voltando aos meus amigos. O fato é que pra onde eu olhe, alguém está sofrendo por alguém. E eu não sei consolar ninguém. Sou meio dura, uso o tratamento de choque mesmo. Deveria ser mais delicada, afinal a ferida está aberta e ela dói muito com palavras pesadas. Pode ser que daqui a algum tempo eu fique mais flexível nesse assunto, dobre a esquina e me apaixone ou entre na sala do cursinho e caia de amores por alguém (na verdade isso aconteceu a pouco tempo, eu é que mais uma vez me fechei para a possibilidade de felicidade).

Não tem jeito, nós não somos uma ilha, sempre vamos procurar nos lugares um novo amor sem nos lembrar que junto pode vir a dor. A gente nunca lembra, porque até então ela(ainda) não existe. Para mim funciona o contrário: quando lembro do primeiro pé na bunda mais dolorido da minha vida, levanto a guarda e sigo em frente. Estranho? É um pouco, eu chamaria de instrumento de defesa. Assim vou poder colecionar histórias de amor sem ter que ser necessariamente protagonista.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O último trovador solitário



Como todos os anos, várias homenagens são feitas à Renato Russo, seja na calçada com um violão e algumas cervejas, seja com um tributo com várias bandas, com reportagens relembrando os melhores momentos do trovador solitário. Eu, sinceramente, não aguento mais essas homenagens, apesar de todos os dias cantarolar alguma música da banda. Detesto porque não saímos de ciclo vicioso, onde vivemos apenas de fragmentos que o tempo se encarrega de ainda deixar no ar. Por que não surge nada inovador, nada com qualidade e glamour – superar o renato no glamour realmente não é tarefa pra qualquer um.

Um carioca criado em meio aos concretos de Brasília, conseguiu decifrar os conflitos e dramas de uma geração ainda machucada por 21 anos de ditadura militar. E fez mais: perpetuou a mensagem de “Força Sempre”. Depois de 14 anos de sua morte, suas canções ainda são hinos para milhares de jovens confusos e com um certo toque de inconsequência.

Porém, o atual cenário musical brasileiro está longe de vislumbrar outro poeta equivalente à Renato. Primeiro que a qualidade de compositores e músicos de hoje deixam muito a desejar. E o mais preocupante: a mídia incentiva essa falta de qualidade. Quem assistiu VMB MTV desse ano percebeu que a emissora faz questão de querer vender essa nova safra de “enlatados”. Numa era em que não se ganha mais dinheiro com cd's e dvd's, o jeito é criar camisas, chaveiros, óculos, biografias, sandálias, bonés, etc. Se antes aprendia-se a tocar somente três acordes pela necessidade de se fazer ouvir, hoje é para se fazer vender. Se ontem existia uma confusão pensante, hoje o que se vê é uma confusão alienada, que precisa de um “enter” para pensar.

Agora vou beber minha cerveja, com minha pilha de cd's originais da Legião Urbana, um maço de cigarro vagabundo, imaginando de que forma meu filho conseguirá encarar esse mundo.

domingo, 26 de setembro de 2010

Mãos Limpas de quem?





Logo nos meus primeiros posts depois que eu cheguei aqui, fiz uma crítica construtiva sobre o Estado. Onde me chamaram de “empolgada”, por ter morado em São Paulo alguns anos, e que sou parecida com um cogumelo que só se alimenta de merda e vive no escuro.

Pois bem. O teor do texto citava essa dependência que nos amarra no governo estadual. Essa falta de estrutura que por tantos anos perdura em Macapá; o descaso com que os gestores tratam as questões básicas, como educação, saúde e habitação, por exemplo. Disseram que eu peguei pesado no texto. Mas não tinha como não pegar. Com a CEA sucateada e as com constantes quedas de energia; com o asfalto da cidade que mais parece um pão com uma fina camada de manteiga; as escolas públicas sendo degradadas, e quando se prestam a reformá-las, alugam estruturas extremamente desconfortáveis, como é o caso da Escola Estadual Gonçalves Dias, no bairro do Buritizal.

Depois de dois meses, numa bela manhã de sexta feira, sabe-se o motivo do sucateamento do Estado: a suspeita de desvio de verba do setor da educação em mais R$300 milhões em contratos ainda mais suspeitos. Nomes conhecidos por nossos eleitores foram parar em Brasília para prestar depoimento, pois estavam sendo investigados a mais de um ano.

Vergonha para o Amapá. Matéria de capa do Jornal Nacional, anunciando a prisão de governador, ex-governador e o resto da quadrilha; capa dos principais sites de notícia do país. Bem, depois dessa “bomba” jogada sobre nós, provável que as consciências aflorem num momento de reflexão. Será?

Ao chegar ao Aeroporto Internacional de Macapá, Pedro Paulo Dias é carregado pelo povo, com palavras de incentivo e acalanto, onde todos sentiam junto com ele a dor da injustiça. Pessoas que estão à beira de perder seus contratos administrativos, que tem filhos pra manter na escola, que ainda tem carro pra pagar, a reforma da casa para terminar. Por que tudo gira em torno do governo, e isso incentiva atos como o episódio do Aeroporto. Vergonha pra quem? Pra nós. Eu não estou pregando uma coisa utópica como o socialismo, estou pregando honestidade, respeito com o eleitor, que perde uma manhã de domingo na fila para eleger os seus representantes.

Bem, e ainda continuam a insistir que eu sou uma “empolgada” ou frustrada por não ter nascido em São Paulo ou no Rio de Janeiro. Se tivesse nascido nesses Estados sentiria do mesmo jeito pelas crianças que estão morrendo nas praças em conseqüência do consumo de crack ou das balas perdidas que matam crianças em fila de hospital.

Temos que parar com essa visão romântica que temos do nosso Estado. Existem vários problemas a serem resolvidos, mas o que falta é comprometimento dos gestores. Enquanto o amapaense depender de assessorias pomposas, cargos de confiança, contratos escandalosos, vamos continuar sendo um dos Estados mais atrasados da federação.

domingo, 12 de setembro de 2010

O que você sabe sobre a ditadura?



O ano era 1985, fim de 21 anos de ditadura militar no Brasil. Nasci no dia 15 de Junho do mesmo ano. E ainda pairava uma certa desconfiança sobre o que falar e para quem falar. O medo dos militares voltarem era visível entre os brasileiros.

Com o passar dos anos, aos poucos a figura da ditadura saia do cotidiano da população assim como um demônio sai do corpo de um fiel. Em 1988 é proclamada a nova Constituição, em 1989 é eleito o primeiro presidente por votação direta depois dos militares. Enfim, a democracia vencia a batalha.

Quando passava alguma materia na tv, reportagens nas revistas mostrando os confrontos e os detalhes do período, eu paralizava. Sentia um pavor e ao mesmo tempo um fascínio por essa fase do país da qual eu não vivi. Onde pessoas desapareciam, outras eram torturadas, outras era assassinadas e ainda levavam fama de suicidas. Por que aconteceu tudo aquilo? E num Estado como o Amapá, em que alguns anos atrás ainda era território, cresci com essa pergunta que ninguém queria responder para uma garotinha de dez anos de idade.

Março de 2008, São Paulo. Fazia o primeiro (e o único) ano do curso de Jornalismo na Universidade Paulista. E no meu primeiro seminário, caiu justamente essa tema: A morte de Vlado. A saliva desceu quadrada. Mesmo com a falta de interesse dos outros integrantes, resolvi eu mesma fazer uma investigação.

Vladimir Herzog era diretor de jornalismo da Tv Cultura e, segundo o DOI-CODE, tinha ligações com o partido comunista brasileiro. Dois dias depois da sua ida às dependências do órgão para prestar depoimento, foi encontrado morto na cela. A causa? “Suicídio”.

Desembarquei na Estação Paraíso e desci toda a extensão da rua Tutoia, rumo ao antigo prédio do DOI-CODE. Queria conhecer a sala onde Wlado foi encontrado morto. Possuia apenas uma carteirinha da faculdade como documento para provar que eu estava apurando informações para um trabalho acadêmico. No percurso, começava a imaginar as torturas, os gritos, o medo. Quanto mais me aproximava, maior era o frio na barriga.

- Bom dia! Sou estudante de Jornalismo da Unip e gostaria....
- Não pode entrar.
-... gostaria de conversar com alguém...
- Infelizmente não dá.

Não passei da porta de entrada. Fim da linha. Ninguém queria falar nada. Me sentei no ponto de ônibus em frente, frustradíssima. Tinha andado tanto pra chegar ali pra nada. Havia uma senhora sentada junto comigo esperando a linha Estação Sta Cruz. Foi assim que obtive informações para o meu seminário. Ela contou que era comum viaturas rasgarem a rua com um algum preso no banco de trás. Os moradores já estavam acostumados com os gritos vindos das celas, quando não era choro varando a madrugada. Como é um bairro nobre e antigo da cidade de São Paulo, a concentração de idosos é alta. Quando percebi, tinha várias senhoras no ponto falando a mesma coisa. Das suas janelas, ficavam observando todo o tipo de gente entrar e sair do prédio. Famosos e anonimos, ricos e pobres. Pareceu que elas precisavam falar, botar pra fora, depois de tantos anos de silêncio. Contaram que pela manhã, ao passearem com seus cães, achavam dentes jogados pela rua, sem contar o odor de urina e fezes vindo do prédio ou de pessoas que entravam e não saiam mais.

Achei que já estava demais ouvir tudo aquilo. Agradeci todas elas e voltei pelo mesmo caminho de onde vim. Meia hora sentada ali foi o suficiente para eu me sentir mal. Enquanto andava, as lágrimas desceram macias e calmas. Que foram caindo, e caindo mais forte, mais forte, até eu não aguentar mais e sentar na sargeta. Parece que os demônios se escoraram em mim. Fiquei alguns minutos olhando o movimento da 23 de Maio logo em frente.


Deixei o curso de Jornalismo dias antes da apresentação do seminário por motivos financeiros...

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Conceito de loucura é relativo








Com certeza você já deve ter ouvido falar naquele pensamento de que uns nascem pra rir e outros pra chorar. É a mais pura verdade. E em todos os sentidos. Seja no lado financeiro, afetivo, familiar... Enquanto uns tem muito, outros têm pouco. E acontece com todas as pessoas, ninguém é 100% completo. Se você for, dá um alô aqui.

Bem, no meu caso, posso dizer que descobri coisas que eu achava que não tinha, como minha familia, por exemplo. Não esperava que, depois de tantos anos, o meu pai (biológico) fosse recompensar 25 anos de ausência. Achei bonito o seu gesto de estender suas mãos no momento em que eu mais precisei.

Porém, no decorrer dos anos percebi que alguma coisa mudou em relação aos meus relacionamentos afetivos. Não sei se adquiri um trauma do meu primeiro namoro, mas só sei que simplesmente não consigo mais ver qualquer tipo de relacionamento, seja namoro, casamento, uma ficada, como uma coisa sadia e produtiva. Perdi aquela visão romântica do “ estar junto ou do dividir”. Todas as tentativas de engatar novos romances foram frustradas, porque eles nunca passam de 24 horas. Começam bem, mas parece que algumas horas depois outra personalidade surge e arrasa com tudo. Um misto de indiferença e frieza tomam conta de mim. E aquela carinha romântica de outrora se desfaz para dar lugar a uma alma seca e completamente insana. E assim, mais uma possibilidade de felicidade vai pelo ralo.

O pior é quando me apaixono. Adoro aquela sensação de sentir saudades, o medo de beber umas cervejas e dar com a língua nos dentes, medo de levar um fora, a iminência do segredo ser revelado. Não sei qual o filósofo que disse que a paixão é uma doença mental e precisa ser curada. Ele tem toda a razão. É um sentimento masoquista, perturbador e demente. Em todas as vezes que me apaixonei, fui apenas um mendigo pedindo um pouco de atenção. Quando lembro de todas as situações que tive que passar por estar apaixonada, sinto uma vergonha e uma vontade de nunca mais sair na rua.

Mas uma vez (quase) me apaixonei, e uma paixão tão impossível quanto ver um vaca voar. Algumas horas de lágrima na garganta e já era, a paixão já foi embora. Como eu disse no primeiro parágrafo: uns com muito e outros com tão pouco. Aceito minha condição de não acreditar nesse sentimento que nos deixa retardados. Tenho amigos maravilhosos, uma família querida e uma grande vontade de viver. Pra mim isso já está de bom tamanho.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Aqui eu aprendi....



Aqui aprendi a respirar, a mergulhar nos rios de águas geladas. Aprendi a olhar para dentro das pessoas, a decifrá-las. Aprendi a amar minha família e ser mais amável com eles.

Aprendi a dizer o que quero e o que sinto. Aprendi a perceber o sorriso de uma criança e sua inocência. Aprendi a amar meus amigos, fonte de minha força motora.

Aprendi a torcer numa partida de futebol, chamar um palavrão quando sai um gol, ou quando levo um gol.

Aprendi a chorar, botar pra fora, vomitar tudo o que há de ruim dentro de mim, até aquele hambúrguer vagabundinho da praça do Barão. Aprendi a olhar pra trás e sentir falta apenas das coisas que me fizeram bem, porque as que me fizeram mal, preferi enterrar.

Aprendi a fazer cálculos de Física, estudar 7 horas por dia, apreciar uma manhã de segunda-feira. Aprendi a gostar de churrasco na casa de alguém, regado com bastante cerveja e um monte de tagarelas jogando uma boa conversa fora. Aprendi a respeitar a diferença entre as pessoas, e aproveitar o que elas podem me acrescentar.

Todos os dias eu aprendi algo novo, coisas que eu já havia esquecido. Hoje eu to afim de aprender alguma coisa legal. E você, o que aprendeu hoje?

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O segredo da Abelha




Hoje eu tive um sonho estranho. Sonhava que escrevia um livro infantil depois de ter assistido a uma aula de Biologia. Ao ouvir o professor falar sobre a vida das abelhas, fiquei com pena da operária. Tadinha, não pode reproduzir, então tem que trabalhar.

Mas como todas as histórias infantis, o romance do pobre com rico sempre funciona, ainda mais de um animalzinho que tem um aspecto favorável, como a abelha.

Enquanto a aula avançava, imaginei uma grande colônia de abelhas, com seus capacetes e pás. Com suas pranchetas fazendo muitos cálculos. Sexo na colônia, literalmente nem pensar. Elas não sentem desejo, por isso focam toda sua energia na produção do mel. Bem cedinho elas acordam e começam a produzir o mel.

Mais em cima, na “área vip”, está a rainha. Sempre controlando de longe o trabalho das operárias. Ela sim, pode pensar o dia inteiro em sexo, pois é a única que pode reproduzir na colônia. E junto com os seus 400 Zangões, perpetuam a espécie à vontade. Detalhe: nunca se misturam com as operárias. Contato zero com a classe trabalhadora.

Mas, um belo dia, Pedro, um dos Zangões, resolveu descer até a linha de produção da colméia para conhecer o seu lado proibido. Tudo é organizado, como a rainha sempre prezou. De um lado as produtoras de mel, do outro as produtoras de geléia real. No fundo, a produção de cera. Ao vê-lo, as operárias ficaram nervosas, perderam a sequência na produção, tentaram não se afetar pela presença do estranho. Mas Pedro se distrai com uma das operárias, da linha de produção de geléia real. Sem se dar conta que está comentando uma infração grave, Pedro se aproxima da operária toda suja de geléia. Ana DuPolen tenta desviar seu olhar para o chão, com medo de futuras represálias da rainha. Mas porque Pedro, rodeado por um monte de abelhinhas que vivem apenas um mês, foi se interessar logo por aquela? Logo uma operária?
- você não deveria estar aqui, senhor.
- sim, eu sei. Mas aqui estou.


Quem sabe a Pixar não compra a idéia e lança um ótimo filme?

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O homem que mais amei!




Eu amei um homem, que eu achava ser o cara mais perfeito da face da terra. Com um sorriso brilhante e uma gargalhada que mais parecia crise de asma. Que me fazia rir de paródias de música em pleno metrô. Que me recitava os axés mais toscos da Bahia. E pensava: não existirá outro ser que me tire um sorriso assim tão rápido. Não existirá ser mais digno da minha admiração. Tentava me impressionar com histórias inteligentes que outros lhe contaram. Me acordava com travesseiradas, ou às vezes simplesmete com um tchau, em seguida batendo a porta. Dividíamos a coca cola, a azeitona da pizza, o último Bis da caixa. Dividíamos nossas vidas indivisíveis. Podia ser extremamente doce, mas em minutos se transformava num completo estranho.

Assim era o homem que eu amei. Vários em um só. Diversos num só corpo. Eu nunca me cansaria dele. Eu era feliz com o que tinha. Mas ele resolveu ficar mau. Machucar até o limite das forças. E começou a doer. Tão fundo que quase não tive mais saída. Apelei para a saída de emergência do meu coração. Tentar salvar o pouco que tinha de mim em mim. Por que ele já tinha consumido mais da metade com sua necessidade de sobreviver. Eu tentei ajudá-lo, e como tentei. Com o pouco de forças que eu tinha, tentava salvar nós dois. Em vão. Caímos feito duas folhas de papel, distantes um do outro, sem muito o que fazer.

Não existirá outro homem que eu ame mais. Talvez eu case, tenha filhos, viagens em família. Mas todas as vezes que eu olhar para meu marido, para meus filhos, vou permitir que minha imaginação lembre de você, como seria nossos filhos, nossas viagens em família, nossa casa, o seu atelier, meu escritório, nossa cozinha, o seu risotto de nozes com tucupi. Desculpe, mas eu ainda vou me permitir lembrar de você. Por que não existirá alguém como você.


Você vai me Destruir

Vanessa da Mata
Está acabando o amor
Você ainda não veio
Não disse não ligou
Se vem viver comigo

Se me quer como amiga
Se não quer mais me ver
Você vai me esquecer
Você vai me fazer padecer

Está acabando o amor
Você já não me pertence
Eu vejo por aí
Você não está comigo

Nessa nossa disputa
Nesse seu jeito bom
Eu não quero saber
Você vai desdenhar
E vai sofrer e vai perder

Você vai me destruir
Como uma faca cortando as etapas
Furando ao redor
Me indignando, me enchendo de tédio
Roubando o meu ar
Me deixa só e depois não consegue
Não me satisfaz

Pensando em te matar de amor ou de dor eu te espero calada

(Me pinte, me pegue
Me sirva, me entregue
Me deixe, me coma
Me envolva, me ame)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Bullyng or not Bullyng?




Lá pelos meus dez anos de idade, eu sofri de Bullyng. Por que sempre brincava mais com os meninos que com as meninas na escola, porque me vestia como eles, porque só brincava com os brinquedos deles ( brinquedos de menino sempre foram mais emocionantes que de menina, é ou não é?).

E isso nunca me afetou porque eu não deixava que me afetasse. Eu era o que era e pronto. Talvez porque minha Hiperatividade diagnosticada desviasse minha atenção pra isso. Tudo era culpa da Hiperatividade.

Por outro lado eu fiz muitas mães procurarem psicólogo para seus filhos. Perseguia os coleguinhas de classe pelos seus mínimos defeitos. Se tinha orelha grande, se tinha jeito de bichinha, se não cheirava bem, se tinha o nariz de batata... Tudo era motivo pra piadas de mau gosto.

Agora depois de quinze anos, a novidade é o Cyberbullyng. É o constrangimento feito por várias pessoas a uma única pessoa, usando tecnologia de comunicação, como celulares e internet. Mensagens de celular, vídeos de celular jogados na internet, ofensas em páginas de relacionamento, como Twitter, Orkut ou Facebook, fotologs e blogs.

É menos pior que o velho Bullyng? Não! Apesar de não ter violência física, como muitos casos de Bullyng têm, o número de pessoas envolvidas no Cyberbullyng é muito maior. Ridicularizar alguém em rede mundial pode ser mais devastador que no corredor do colégio.

E aquele assovio pra gordinha que passa na hora do intervalo na escola? O orelha de abano que insiste em sentar na frente? O professor que usa um cinto no sovaco? E isso dentro de uma sala com 30 alunos. Imagina se isso tudo for parar em algum fotolog da vida?

Bullyng sempre irá existir, porque tudo o que é diferente de um padrão é considerado anormal. Gordo demais, magro demais, orelhudo demais, pobre demais, dentuço demais, perna torta demais. O que eu posso fazer pelo meu filho é mostrar que todo ser humano é único. Cada um tem suas características e se algum dia alguém questioná-lo sobre sua aparência ou personalidade, lembrar que enquanto apontamos para alguém na rua ou mesmo pela internet, sempre terá três dedos apontados pra nós mesmos.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Ciúme dos amigos



Se alguém me perguntar se eu tenho ciúmes dos meus amigos, vou responder que sim. Ciúme pesado, de ficar com a cara amarrada por dias, de deixar de falar e tudo. Fico com raiva de não ser exclusiva, se deixo de ser o centro das atenções, se meus amigos passam muito tempo sem me ligar. Fico com ciúmes se vejo uma declaração de amizade de um amigo meu pra uma pessoa desconhecida no Orkut. Se ouço histórias sobre farras de bebedeiras de amigos e que eu não estava lá.

Quando percebi que eu sentia isso, achei que estivesse apaixonada por um grande amigo meu. Aliás, um amigo muito improvável pra me apaixonar, éramos quase irmãs. Mas um dia saímos pra beber só eu e ele. De repente chegou uma terceira pessoa e toda a atenção dele se voltou para a recém chegada. Parei de beber na hora, fechei a cara e me calei. No caminho pra casa eu queria esmurrar o carro inteiro, falar um monte de desaforos pra ele, dizer que ele não valorizava minha amizade. Como todos estávamos bêbados, não ia adiantar muito soltar os cachorros naquele momento. Quando entrei em casa, prometi pra mim mesma que nunca mais ia procurá-lo, que ele era um escroto, vaidoso de merda. No dia seguinte, ele estava na porta da minha casa me convidando pra tomar sorvete. Minha raiva passou na hora. Não, eu não estava apaixonada por ele, apenas tinha um ciúme louco dele e das coisas dele.

Aí percebi que não era só dele que tinha ciúmes, mas dos meus outros amigos também. Amigos e amigas... Ai... mais uma confusão pra minha cabeça. Já não basta ter uma vida ambígua, ainda vou ter que decifrar que ciúme é esse que sinto das minhas amigas? Bem, também não estou apaixonada pelas minhas amigas. É só esse ciúme tosco.

O ciúme dentro da amizade é mais gostoso que dentro de um relacionamento sério, tipo namoro. Você pode sentir o quanto quiser, com tanto que seja ciúme de amizade. Por que se for de outra coisa mais Heave, aí o bicho pega. Eu amo meus amigos, os poucos que eu faço questão de cultivar. Sinto necessidade deles. Eles me alimentam só de coisas boas. Mas junto com esse caloroso sentimento vem o ciúme, implacável. Se isso for uma paixão incubada, então tenho que me preparar para sofrer de amor por todos eles....

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Paixões fluminenses




Eu tentei ir pra longe, tentei me afastar do perigo. Viajei por horas para que essa cidade não me tentasse. Para que não me arrastasse para a minha desgraça. Desgraça perto, desgraça longe. O que importa, se o mal já está feito? Se a tua presença se faz constante diante dos meus olhos? Se todas ainda lembram você, pra onde eu olhe, onde eu toque.

Não vou me render a esses raios de sol sob as águas do Flamengo. Resistirei ao teu sorriso, que sorri até para os pedintes, menos pra mim; resistirei a esse cheiro de mar, continuarei com o cheiro do asfalto quente e pisado. Mesmo que meus sentidos insistam em me dizer que sou covarde, que prefiro viver entre os animais de estimação da casa dos vizinhos. Por que até pra criar animais eu sou covarde.

E assim vão passando-se os dias, entre goles de tristeza e goles de alegria, entre Heineken e Bohemia. Sem perceber que meu lugar é junto do samba, do morro, das harmonias. Mas eu não mais louca de desencantar todas as minhas paixões. Prefiro o sossego, a tranqüilidade de quem ama de longe. Só corre perigo que não tem juízo!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Dia dos pais está chegando....



Dia dos pais está chegando, mesmo que pra mim não seja tão importante(ou não fosse...).

Hoje fui almoçar com meu pai. Fazia muito tempo que nós não almoçávamos juntos. Por que passávamos a maior parte do tempo discutindo na mesa, até um dos dois levantar, pegar seu prato e ir comer em outro canto da casa.

Conversamos amenidades, coisas banais. Dos planos dele de reformar a casa, da caixa de marcha do carro que quebrou mês passado, do peixe que tinha um cheiro desagradável. Sempre intercalando com perguntas: “ - Quer mais suco? O frango está gostoso?” Depois perguntou onde eu tinha comprado o frango assado, porque o bichinho estava muito pequeno. Eu disse que foi na esquina do sinal. “- Porra, Jackeline, não era lá. Eu não te disse que era na esquina da feirinha? Olha o tamanho desse frango...”. Eu tinha duas escolhas: travar uma discussão por causa do frango ou pedir desculpas e dizer que da próxima vez eu compro no lugar certo. Venceu a segunda opção. Na mesma hora ele parou de falar e puxou outro assunto, sem mais ligar para o frango.

Meu Deus, porque eu não aprendi a pedir desculpas antes, eu teria evitado tanta dor, tantas lágrimas, tantos anos de convivência complicada com meu pai. E percebi o quanto valeu eu ter passado um tempo ausente, ter visto o mundo lá fora, sofrendo sozinha.

Ele, diferentemente da minha mãe, não me julgou, não questionou por onde eu andei nesses cinco anos, e o que eu vivi. Me recebeu como um pai que recebe um filho pródigo, como se o filho nunca tivesse saído de casa. Com o mesmo afeto e o mesmo semblante fechado de pai. Porém, agora mais tranqüilo de saber que a filha caçula está próxima dele.

A gente tem o ideal de pai meio novelesco, Hollywoodiano na cabeça. E a gente sofre com isso, por que não existe pai de novela. Tanta coisa que eu queria que meu pai fosse, mas ele não é. Vou fazer o que? Trocar de pai? Ele fez o melhor dele, naquilo que ele podia fazer. Nem mais, nem menos.

Ao sair de sua casa, vi a minha velha máquina de escrever no depósito, uma fotografia minha na estante da sala, meus livros do colégio. Olha quantos pedaços meus estão com ele? E quais os pedaços dele que estão comigo? Na porta da casa me despedi agradecendo pelo almoço e disse que o esperaria no Domingo pra tomarmos café juntos no fim da tarde. Senti que ele queria que eu não fosse embora, que ficasse mais um pouco, que conversasse mais com ele. Vendo-o no portão, percebi que ele não queria ficar sozinho. Já era tarde demais, o taxi já tinha parado pra eu entrar. E na viagem pra casa, percebi quanta coisa eu tenho do meu pai comigo, apenas de sentir as lágrimas caírem do meu rosto.



Eu te amo, pai!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Feliz dia do amigo!




Amigo é essa coisa tosca que vive grudado na gente. Sabe das nossas intimidades, das nossas mentiras, a nossa marca de cerveja preferida, nossos dias de TPM, os nossos segredos mais obscuros. Às vezes consola, às vezes tripudia da nossa dor, geralmente com uma frase: “eu não te disse?” Mas quando consola, é capaz de beber dois dias junto com você e ouvir diversas vezes a mesma ladainha. Além de ter o poder de curar nossas dores com algumas palavras.

Amigo pisa na bola, machuca, “escangalha tudo”, mas quem nunca magoou um amigo? Porém, poucos sabem como consertar tudo, poucos sabem reconstruir o que destruíram. E por mais que seja extremamente cansativo, amigo que é amigo, junta forças que não existem e retomam a amizade de onde ela parou com braços de ferro.

Não existe amizade sem briga, não existe amizade sem lágrimas, não existe amizade sem dor. Nunca pense que amizade é um mar de rosas, mil maravilhas. Muitas pessoas que nunca discutiram com você entram e saem de sua vida sem deixar um arranhão se quer. Mas os verdadeiros amigos deixam um câncer no peito, mas um câncer curável, com palavras doces, com gestos de carinho e afeto.

Eu já me desfiz de muitos amigos que não caminhavam mais os meus passos, outros apareceram na minha vida como um presente. As feridas dos que se foram ainda estão aberta, mas os que chegaram fazem questão de sará-las.

Beijos para todos os meus amigos que estão perto, longe ou que nunca mais os verei. Vocês são as partículas que impulsionam minha existência. Obrigada por existirem.

domingo, 18 de julho de 2010

Dessa fonte eu beberei





Outro dia, numa comemoração na casa de um amigo, ouvi uma moça cantando um pagode recente. Achei parecido com um sambinha do Noel Rosa. Perguntei se ela cantava Palpite infeliz, e ela disse que não conhecia Noel Rosa, nunca tinha ouvido falar. É até compreensível que uma adolescente de 15 anos não conhecesse Noel Rosa. Mas quem compôs a música na qual ela cantarolava, provavelmente deve conhecer. E o compositor na qual ele escutava com 16 anos deve conhecer mais ainda.

Quando ligamos a tv, principalmente dia de domingo, vemos uma verdadeira salada musical. Vai de sertanejo, pagode, forró, funk e até pop rock(?). Programas cheios de mulheres bonitas na fila da frente, porque as feias, que completam a pláteia, são colocadas pra trás. Sempre muito animadas e de sorriso aberto, sabem de cor todas as canções das atrações. Nas festas de peão, milhares de pessoas cantam os maiores sucessos sertanejos da atualidade. E dentro de uma pagodeira não é diferente, que ainda toca os velhos e novos hits, o que “fácil” confundir samba com pagode. O pop rock é o mais lamentável. O grande arauto da liberdade é mutilado e sem referências significativas. Garotos de classe média ganham a primeira bateria, aquela guitarra com cara de velha, aprende três acordes e já monta uma banda com um punhado de letras que uma criança de cinco anos de idade poderia ter escrito.

E assim, vemos o início da primeira década do século XXI como uma das piores de toda a história da música. Sem inspiração, sem vida, sem aquele salvador proposto no post anterior. Por que será? Por falta de criatividade? Preguiça? Falta de talento? Ou o problema está nessa geração que não se aproveita do seu legado musical?

Do nordeste da década de 40, Luiz Gonzada já tocava o seu pé de serra, criando o baião no sertão de Pernambuco. Hoje, dezenas de grupos de forró fazem referência ao sanfoneiro, como a grande inspiração(inspiração onde, de quem?) Na região sudeste, na mesma época de Gonzaga, Tonico e Tinoco faziam suas primeiras apresentações pelo interior de São Paulo com “tristeza do Jeca”. Muitas duplas sertanejas prestam homenagem à Tonico e Tinoco, reconhecendo-os como a maior dupla sertaneja(mas continuam fazendo músicas mela cueca).

O rock no Brasil é um caso complicado. Cenário recheado de figuras até mundialmente idolatradas, como é o caso dos Mutantes. Palco da rebeldia na transição da ditadura para democracia, impulsionada pelo Punk londrino dos Sex Pistols e o americano dos Ramones, nascia Blitz, Heróis da Resistência, Camisa de Vênus, Ira!, Plebe Rude, Legião Urbana, Capital Inicial e Titãs, bandas que floresceram na década de 80 no Brasil. Mas já no início da década de 90, várias delas já não tinham o mesmo gás e algumas finalizaram a carreira. Hoje o que sê vê é um monte de garotos sem atitude, sem verdade, sendo manipulados por produtores musicais altamente comerciais.

Bem, onde quero chegar? Parece complicado, mas é simples. Em um país, onde deu origem a Bossa Nova, com um dos compositores mais aclamados como Tom Jobim, onde um semi analfabeto como o Cartola escreveu: “bate outra vez com esperanças o meu coração...”, a produção musical brasileira nesse início de século é uma lástima. Claro, salvando algumas caras e vozes que aparecem. Mas no geral, é tudo muito previsível, enlatado. Onde estão os cometas? Cadê a essência das novas gerações? Não bebem da fonte dos grandes mestres? Onde vamos parar, meu Deus?

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Meus heróis morreram de overdose




Ainda sob os efeitos do último dia 13(alcoolicamente falando), dia mundial do rock, sentei na beira da cama pra tirar o tênis e ver o que passava de interessante na TV em plena 3 da manhã. Zappiando e já desistindo, vi a chamada do ArquivoN, do canal Globo News. Ia passar um especial da Janis Joplin. Uma vida curta, mas intensa, extrema, no limite. Hum, esse filme você já viu, não é?
Sim, várias vezes. Essa receita intensidade+inconsequência+talento, já está mais que conhecida. Cazuza, Elis Regina, Janis Joplin, Kurt Cobain, Jim Morrison, Renato Russo, Jimi Hendrix, Brian Jones, cultivaram a tríplice aliança perfeitamente.
Em uma discussão acalorada, eu e minha amiga Cybelle, chegamos na seguinte pergunta: eles tinham que morrer ou não?
No meu ponto de vista, eu achei que a morte era inevitável. Com o ritmo de vida, as drogas, o álcool, o sexo, noites mal dormidas, um dia a pilha acabaria. Mas vendo pelo lado meio místico da coisa, pra mim eles são como cometas que passaram por nós, tão brilhantes que se chegássemos perto, nos queimaríamos ou perderíamos a nossa visão. Todos eram autênticos, verdadeiros, espinhosos. Foram fulminantes, bombásticos, carismáticos até. Aí pergunto: e se eles não tivessem morrido, seria a mesma coisa? Teriam revolucionado o rock do mesmo jeito? Teriam seus nomes na história?
Lembra daquele ditado “depois da tempestade, a bonança”? Pois é, todos eles, em suas respectivas épocas, foram a salvação de uma geração perdida e sem heróis. Eles trouxeram verdade pra onde não tinha, fizeram com que as pessoas acreditassem em si mesmas. Criaram a identidade de toda uma juventude. Alimentaram-nos de força, inconseqüência e paixão. E morreram com a imagem que até hoje guardamos em nossa memória. Não aquela coisa sem vida(Caetano e Gil perderam o seu brilho ao longo dos anos), sem rumo, vendida para o mercado das gravadoras. Não! Ficamos com os gritos rasgados, com as entrevistas apimentadas, com os fricotes, com as gargalhadas, com os chiliques de quarto de hotel. E com a esperança de que outros cometas virão, depois dessa tempestade que parece que nunca vai cessar.

domingo, 11 de julho de 2010

As delícias da Amazônia





Os sabores e as curiosidades de um dos Estados mais recentes do Brasil.

Não é só pelo fato de ser a única capital no mundo dividiva pela Linha do Equador ou ser o Estado menos desmatado da Amazônia que o Amapá fascina seus visitantes. Sua culinária regional é um convite tentador para a visita ser extendida. A variedade de peixes já seria um ótimo motivo para adiar a data do voo.
Por toda cidade há pontos de vendas de comidas regionais, cada um com seus segredinhos de preparo. No cardápio? Maniçoba, Tacacá, Pato no tucupi, Pirarucu no molho de coco. Solange Gomes, proprietária do restaurante Aimoré, no centro da cidade, explica que muitas pessoas fazem os pratos, mas poucas conhecem as receitas originais:”A maioria das senhoras que preparavam os pratos com a receita genuína já faleceu. Hoje, poucos lugares conservam a receita original”. Solange refere-se às “tacacazeiras”, que preparavam diversas iguarias e vendiam na suas barracas na rua.
A maniçoba, por exemplo, teve uma variação ao longos anos. Um dos pratos mais pedidos na região, originou-se dos índios e era servida em ocasiões especiais ou em rituais de celebração. Preparada com a folha da mandioca, precisa ser cozinhada durante 6 dias, eliminando assim suas toxinas. Com a colonização, acrescentou-se pedaços de porco defumado, semelhante à feijoada. Outro prato bastante disputado é o Tacacá. Feito com o líquido extraído da mandioca, o tucupi é seu principal ingrediente, acompanhado com o jambu, camarão e a goma de mandioca. Também de origem indígena, ele é servido quente num recipiente chamado cuia. Mesmo com os termômetros indicando o seus quase 40°c, tomar um tacacá às seis da tarde é uma rotina deliciosa.
O pescado da costa do Amapá é um detalhe bem revelante. Ao nascer do sol, os barcos pesqueiros chegam com o carregamento diário para ser distribuído nas feiras e açougues da cidade, além de ser vendido na hora. Peixes como Filhote, Dourada, Pescada, Tucunaré e Tambaqui, são servidos nos restaurantes e hotéis da capital. Mas um peixe bastante curioso é o taumatá. Conhecido também como Cascudo, o taumatá é relativamente barato. Peixe de mangue, é facilmente encontrado nas margens dos rios. A aparência não ajuda muito, isso é verdade. Porém, quando refogado com chicória e feito no leite de coco, é quase impossível lembrar do seu aspecto robótico.
E se não bastar toda essa riqueza gastronômica, então o jeito é apelar para uma boa tigela de Açai com farinha e outra camarão no bafo, prato presente em 90% das mesas amapaenses. Com tanta fartura, vai ser difícil marcar a passagem de volta.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Almodóvar, cadê você, meu filho?



Hoje, Pedro Almodóvar, é um dos diretores de cinema mais aplaudido pela crítica atual. Com sua ótica européia, consegue transformar uma cena de sexo que teria tudo pra ser vulga numa obra de arte. Quando se vê uma cena de Almodóvar, já se sabe, de longe, que é Almodóvar. Suaviza e satiriza temas que ainda pra muita gente é um senhor tabu. Foi o primeiro espanhol a ganhar o Oscar® de melhor roteiro por Fale com ela. Lançou Antonio Banderas na década de 80, lançou Penélope Cruz na de 90, é queridinho da moçada Cult de todo o mundo. E detalhe: nunca fez um curso de cinema por conta da situação financeira de sua família.
Em 2009 lançou Abraços Partidos, 17º filme do diretor. Diferente dos outros, Almodóvar aborda os temas que mais gosta, como a paixão do protagonista pelo cinema e por suas musas. Não tem a quantidade de cenas de sexo que os outros têm. Existem apenas três cenas de sexo, sendo uma delas debaixo das cobertas. Cria um enredo de traição, possessão e desejo, típico dos seus filmes.
Quem está acostumado com o Almodóvar mais escrachado, como em Carne Trêmula, Tudo sobre minha mãe e Má educação, sente falta de alguma coisa em Abraços Partidos. Os atores são impecáveis, o roteiro muito bom, Penélope Cruz vestida Audrey Hepburn... Mas a sensação de que faltou algo é permanente. Parece que o filme está numa marcha lenta. Quem não lembra da inesquecível Agrado, de Tudo sobre minha mãe?(- Mi nombre y Agrado!) Ou a cena de Antonio Banderas fazendo sexo anal(lógico, ele era passivo...)? Não, Abraços Partidos não choca, não comove, não intriga. Você assiste e pronto. Não faz você refletir por dias, se questionar, rir só de lembrar. Ele é apenas um filme e nada mais.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Vamos aprender a separar as coisas, caramadinhas!!

Vou fazer um texto rápido sobre os comentários da postagem anterior. Quando se expõe uma opinião, é óbvio que muitas pessoas não concordem. Isso eu acho até saudável. Cria debates, discussões, de onde também saem soluções.
O fato de eu morar em São Paulo, não quer dizer que eu não goste de Macapá. Tem gente que nunca saiu daqui e joga pedra na cidade. Não está contente? Então vai embora. Essa é a regra. Agora é impossível você mudar de cidade e não lembrar dos prós e contras da sua terra. Macapá tem coisas que nenhuma outra cidade do mundo vai ter. E é isso que a torna tão especial. Mas não podemos fechar nossos olhos para as suas mazelas, para os seus problemas. Quando vejo algo legal em outra cidade, penso o quanto seria bacana se tivesse em Macapá. É a mesma coisa que você vê um presente e lembrar de quem você ama. Eu morei em Macapá durante 19 anos. Conheço essa cidade como a palma da minha mão. E pelo fato de ser amapaense, eu tenho o direito de expor minha posição. E se eu não tivesse morado fora? Se eu nunca tivesse saído daqui? Temos que aprender a separar paixão de razão, como disse meu amigo Elton. Somos muito intransigentes quando se fala dos problemas de Macapá. O seu Rogério Borges é goiano, não tem absolutamente nenhum direito de opinar em nada aqui, até porque ele nunca veio aqui. Mas nós? Nós é que temos que ter uma discussão sadia, nos unirmos, escolhermos nossos governantes. Por que, antes de mais nada, o que está no texto anterior é tudo verdade.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Amapá: ame-a ou deixa-a!




Quando converso sobre Macapá, algumas pessoas acham que odeio a cidade. Bem, às vezes parece mesmo. Por sua violência urbana, por sua consciência enterrada nos órgãos do Governo, por seu coronelismo ultrapassado e o câncer incurável da corrupção. Mas existe uma diferença muito grande em abrir a boca pra falar mal e perceber do que sua cidade precisa e pensar numa forma de tentar mudar o curso da história.
O Estado não foi privilegiado geograficamente, aqui só se chega apenas através de barco ou avião, o que encarece qualquer serviço e bens de consumo que entra na capital. Comercialmente falando, esse isolamento é prejudicial. Taí uma boa justificativa para as indústrias não se interessarem muito em se instalar aqui. Assim, a força de trabalho escorre para o bolso do Governo Estadual e Municipal, que inchados, não conseguem fazer mudanças significativas nos principais setores.
E um dos setores que mais reflete a sobrecarga do governo é a segurança. Diferente do setor da educação, a deficiência nessa área é imediatamente visível. Em menos de 48 horas sofri um assalto, com direito a faca no pescoço, e uma tentativa de assalto praticamente em frente a 6ª DP, no bairro do Trem. Pra que? Por celulares e um punhado de dinheiro. Como uma cidade tão pequena, que recebe uma boa grana do Governo Federal, pode ser tão violenta? Quando as mentes dos políticos se iluminarão e farão uma política descente na segurança pública? E mais uma vez volto a falar de câncer que nunca cura, essa ferida aberta que nunca sara. Entra governo e saí governo e a cidade não sai do lugar, tem os piores índices de desenvolvimento do país e isso não parece incomodar nenhum pouco os homens que comandam o Estado.
E assim a cidade continua com seus passos lentos, contente com as migalhas desses governantes e com seu horário comercial. Gostaria que nós amapaenses, todos nós, chegássemos num nível de consciência para mudarmos profundamente uma sociedade acomodada e satisfeita com essa situação tão degradante. Espero um dia poder ver alguém no governo que ajude a fazer essa mudança e não tentar enricar sua família e agregados. Nós mesmos reclamamos da cidade, de suas ruas, da iluminação, da sinalização do trânsito, da violência, do transporte público, da favelização de alguns pontos da cidade. Precisamos mudar nossa consciência, saber cobrar, saber escolher as pessoas que vão nos representar. Problemas, todas as cidades têm. Um paulistano não vai resolver o problema do amapaense e vice versa. A transformação começa primeiro na maneira de pensar. Nós ainda não sabemos a força que temos nas mãos.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Feliz aniversário, Jacke


Quando alguém chegar pra você e dizer que sente uma delícia em envelhecer, acredite. Como eu vou dizer agora.
Depois de 5 anos fora de casa, longe daquela rua que por diversas vezes você ralou seu dedo do pé no asfalto, afastado dos vizinhos fofoqueiros e mexiriquentos, da vendinha que você comprava a linha nº10 para a pipa do fim da tarde, do seu João da padaria que te dava um pão de brinde, você descobre que o tempo passa independente de você.
Aí você reencontra os únicos vizinhos que realmente valiam a pena trocar algumas palavras. Fulana teve um filho, ciclano faleceu, fulano se separou, o outro saiu do armário. Dando um passeio a pé pelas ruas próximas, você percebe que aquela locadora no canto da sua casa fechou, que aquele churrasquinho com uma portinha, hoje é um restaurante de dois andares! Lembra daquela feirinha na outra rua? Já nem existe mais, o que se vê são só as barraquinhas vazias, sem os seus legumes habituais e o cheiro característico de lixo de feira. Andando mais para o centro, você nota que aquele prédio não existia naquela rua. Que a balada que você ia escondido do pai, ainda é uma balada, só que com outro nome. Que suas irmãs creceram, e agora se encantam com os sutiens de bolinhas expostos na loja departamento da cidade.
E os amigos então? Parece que você se ausentou por apenas uma semana, porque onde você passa sempre vai ter um que vai lembrar de você, perguntar por onde andou e o que fez tão longe de casa. E você senta e relata suas andanças, suas aventuras. Uns ficam maravilhados, outros com uma ponta de inveja, e outros enchem teu copo novamente.
No último dia 15, fiz 25 anos. E senti uma delícia de completar mais um ano de vida. Por que a cada ano que passa, a vida me dá uma senha, onde posso abrir meus olhos para novas percepções, novas sensações. As impossíbilidades então tornam-se possíveis, os amores se reciclam, os desejos se moldam às suas necessidades. E assim você descobre que felicidade é simplesmente contemplar o mundo por vários ângulos, com a mesma doçura da meninice.
Parabéns pra mim!

domingo, 16 de maio de 2010

Virada Cultural 2010




Às seis da tarde de sábado você olha aquela juventude unida, cada um na sua tribo, mas todos como mesmo propósito: curtir a virada cultural de 2010 em São Paulo. Seja do rock, do reggie, do samba, da MPB, da música clássica, todos convivem pacificamente, dividindo o mesmo espaço. Sem falar na constelação de policiais espalhados pelos quatro cantos do centro da capital. O que dá uma "certa" sensação de segurança. Está perdido? Em cada esquina você encontra as colunas de informações, com as atrações, locais e os horários das apresentações.Até aí, maravilha.
Três da manhã de Domingo e várias pessoas já adormeciam docemente nas calçadas. E na maioria das vezes com uma "lagoa" de vômito nas proximidades. Barracas de cachorro quente disputam o paladar do público com o churrasquinho de gato. Chegar perto dos palcos? Nem em sonho. A multidão se espreme apenas para conseguir ouvir e distinguir uma música da outra. Na praça Julio Prestes, entre uma atração e outra, você se pergunta o que foi que a polícia fez com os viciados em crack que ficam nos arredores, estão escondidos no esgoto até a Virada Cultural acabar? Ou resolveram finalmente levá-los pra um abrigo comunitário? Difícil saber.
Desculpe o trocadilho, mas a lista de atrações é um show à parte. Parece que este ano a Prefeitura de São Paulo não conseguiu contactar nomes importantes da música nacional. Salvo pela presença da Pitty, Céu, Arnaldo Antunes e Titãs. Mas no geral, os nomes são tão conhecidos quanto os cantores do... Líbano. E ainda tinha tumulto em alguns palcos para achar um bom lugar. Os metrôs funcionaram 24 hs, mas o tempo que se gastava na fila para passar pela catraca, era praticamente o tempo de duas atrações perdidas.
No mais, o saldo foi positivo. O tempo de espera na fila do banheiro era de dez minutos, e deficientes físicos tinham a prioridade de uso respeitada. Até o fechamento do texto, apenas uma morte foi confirmada. Um jovem ainda não identificado morreu após ser ferido com facas. Ainda chegou a dar entrada na Santa Casa de Misericórdia com vida, mas não resistiu e veio a falecer.

sábado, 8 de maio de 2010

Alice no país do bem e do mal




Depois de quase um ano, e com ansiedade de quem espera a chegada do novo Messias, no dia 23 deste mês estreiou o novo filme de Tim Burton, Alice no país das maravilhas, baseado no livro de Lewis Carroll. O que gerou uma expectativa na imprensa e no público.
Alice, por si só, ainda fascina gerações de leitores com seu conceito nonsence e idéias surrealistas. E Burton, que já vem de uma sequência de filmes com temática sombria e fantasiosa, selou um casamento perfeito ao rodar Alice. Por meses as principais revistas do cenário cinematográfico não falou em outra coisa, desde o lançamento do trailler até a estréia. Nas vitrines das livrarias, o que mais se via eram reedições do livro, cada uma com suas ilustrações.
Mas o filme não agradou aqueles que esperavam uma super produção. Sob à sombra dos estúdios da Walt Disney, Burton faz uma adaptação previsível, sem magia e sem emoção, confirmando a receita do bem e do mal que os filmes da Disney sempre tem. E a impressão que se dá é que essa Alice mais parece uma Joana D’arc de conto de fadas, onde cabeças rolam as escadas e exércitos se encontram no campo de batalha. Algumas cenas chegam a ser cansativas e prolongadas. O que não anulou o jeito Burton de ser, com sua maquiagem impecável e cenário tenebroso.
Outras adaptações para o cinema, como O código da Vinci e A bússola de Ouro, também não foram bem aceitas pela platéia. Ou porque o roteiro não foi fidedigno ou porque os atores não deram vida ao personagem. Mas no caso de Burton, com sua dupla Deep & Helena Bonham Carter – de Sweeney Todd e Jack, o estranho-, provavelmente a quantidade de cenas de ação mal desenvolvidas podem ter comprometido o longa. Mas ainda vale pagar o ingresso para ver a beleza da direção de arte e a maquiagem, que são características desse diretor com cara de pop.

domingo, 28 de março de 2010

Tudo em seu lugar.



Que o casal Alexandre Nardone e Ana Carolina Jatobá seriam condenados, isso não se tinha dúvidas. A pergunta era de quantos anos seria a pena de cada um. Mesmo sem uma prova concreta, apenas baseando-se nos laudos técnicos, Alexandre foi condenado a 31 e Ana Carolina 26 anos. Durante todo o julgamento pessoas de diferentes regiões de São Paulo e até de outros Estados, acompanharam atentamente o desfecho de um dos mais chocantes crimes da história recente do país. E aquela sensação de final de novela das 8, onde mocinhos e bandidos vão ter seus merecidos finais, contamina a fila do pão, do banco, o papo com o taxista, com o cobrador de ônibus. Mas apesar de ter mocinhos e bandidos, infelizmente não é novela, mesmo que as pessoas presentes em frente ao Fórum de Santana estejam com um grito preso na garganta prontos pra gritar “Justiça Feita”.
O caso Nardoni teve repercussão nacional. Muito se falou durante muito tempo. Como um casal classe média, com uma vida confortável, comete um crime bárbaro como esse? Como aquela garotinha linda, com cara de anjo, pode ser arremessada da janela do apartamento pelas mãos do seu próprio pai? Inexplicável. O que é mais inexplicável ainda, é que isso é mais comum do que se imagina. Centenas de crianças são espancadas, abusadas, assassinadas todos os anos no Brasil, mas não tomaram a mesma dimensão que o caso Nardoni tomou. Por quê?
Por que são casos que acontecem na periferia, com pessoas pobres, onde a notícia nem chega na outra esquina, e quando chega é pela metade. Onde a barbarie é destinada justamente para essas pessoas, e quando escala o 5º andar de prédio de classe média, causa tamanha indignação. Afinal, a pobreza ainda é a melhor justificativa para a maioria dos pecados do ser humano. Ora, porque o filho um de um advogado bem sucedido, com curso superior, morando num apartamento de mais de 100 mil reais? Não tem justificativa. Quer ver o que a TV não mostra?

Rio de Janeiro: O desempregado Orlando Rodrigues Pinto, 31 anos, foi preso ontem no final da tarde acusado de ter espancado até a morte seu sobrinho, Emanuel Soares Correia de Lurdes, 3 anos. O crime teria ocorrido entre a noite de domingo e a madrugada de segunda-feira.

Florianópolis - O assassinato de um menino de 12 anos, ocorrido nesta segunda-feira, no Bairro da Velha Central, chocou Blumenau, no Médio Vale, em Santa Catarina. Gabriel Kuhn foi encontrado morto e com as pernas separadas do corpo, por volta do meio-dia, na casa de um vizinho. O suspeito é um rapaz de 16 anos que convivia com a família de Gabriel e com as outras crianças da rua. O crime teria sido motivado por uma discussão durante um jogo de computador.

Recife - Arnaldo Matias da Silva Filho, de 1 ano e 6 meses morava com a mãe e uma outra mulher , num quarto alugado. Segundo os moradores da comunidade onde ocorreu esta fatalidade, a criança ficou em chamas durante uma “briga” entre as mulheres, que estariam cheirando cola; a mãe teria jogado álcool sobre o próprio filho e depois ateado fogo. Sirdelane Cristina da Silva, 23 anos, segundo testemunhas; fugiu em seguida e não socorreu seu filho, moradores da área ouviram os gritos desesperados da criança e invadiram a casa, encontrando o menino ainda em chamas e gritando muito, um morador não identificado enrolou o menino em uma toalha e o colocou debaixo do chuveiro (num ato desesperado), logo após levou a criança ao Hospital da Restauração em Recife.

E assim que venha a condenação, e que sirva de exemplo para os afortunados dos andares acima do 5º, que atrocidades acontecem bem longe dali, onde ninguém poderá enxergar.

sábado, 20 de março de 2010

Tal pai, tal filha.

Há alguns dias atrás duas clientes entraram na livraria que eu trabalho e foram para a sessão infantil com seus respectivos filhinhos. Fussaram alguns livros de contos, historinhas pra ninar, etc. Eu estava ao lado, dando entrada em notas de editoras, o que tornava inevitável eu ouvir a conversa das duas.
- O Lucas dorme na mesma posição que o Flavio, de barriga pra cima...
- O Alessandro já dorme sem roupa, e o Thiago pegou a mesma mania.
Compreendi que elas falaram sobre seus maridos e o que os filhos tinham herdado de cada um. Tentei voltar para meu trabalho, mas comecei a me questionar o que eu teria do meu pai.
Apesar de morarmos juntos, nós fomos criados como irmãos, pois aos dezessete anos ele engravidou uma menina do bairro e eu nasci. Sem dinheiro próprio e sem trabalho(playboy não trabalha enquanto o pai tem dinheiro, não é?), acabei sendo adotada pelos meus avós paternos. Não me lembro dele falando para os amigos que eu era filha dele. Acho que sentia vergonha. Só depois de adulta é que senti uma certa satisfação em sua voz ao falar que eu era a mais velhas das suas três filhas(as outras duas foram feitas sob encomenda e embaladas para presente).
Parei completamente de fazer o que estava fazendo, apenas fingia que fazia. E assim, dei um salto no passado para lembrar de como meu pai é. Nossa, faz 5 anos que não nos vemos, já não lembro de muita coisa(o que não é de todo ruim). Mas consegui lembrar de alguns detalhes, sim. O jeito de meter a mão nos cabelos; o jeito de dormir na cama, com as pernas dobradas que geralmente ocupam um espaço maior(o Wesley sempre reclamava); lamber o dorso do garfo; misturar o caldinho de feijão com purê de batata; achar que só o que é seu é que presta, e que se as pessoas não tem um gosto parecido com o seu, então elas não tem bom gosto; de ser pão duro declarado(eu tenho meus momentos mão de vaca, mas não sempre); a dificuldade em demonstrar que ama... Bem, acho que lembrei de muita coisa até. Pena que só me lembro das coisas ruins, queria poder me lembrar das boas também(se é que tem alguma...).
As duas mães foram embora e eu fiquei parada ali durante um tempinho. Verdade, eu tenho muita coisa dele. Queria poder vê-lo e passar o dia observando seus gestos, as palavras quem saem da sua boca, a marca de cerveja que gosta de tomar, se ainda escuta o cd do Pet Shop Boys, se já deixou os cd’s do Double You de lado(sempre achei cafona).
Bem, acho que já dediquei linhas demais falando nisso....

sexta-feira, 19 de março de 2010

Mackenzistas X Faapianas

Todas as manhãs, no caminho para o trabalho, passo pelas duas faculdades mais conceituadas de São Paulo: Faap e Mackenzie. A primeira, com sua estrutura que lembra algum monumento americano, sustenta a nata da burguesia paulistana. Seus corredores mais parecem a passarela do SPFW. É comum ver seguranças parados com seus carros pretos do lado de fora do prédio. É uma faculdade de elite.
Já no Mackenzie, com seu prédio mais modesto, porém mais moderno, a visão é um pouco diferente. Com jeito mais despojado, com suas sandálias de dedo e aparente descontração, os mackenzistas respiram outro conceito de faculdade. Parecem ser mais acessíveis.
Olhando mais de perto, um ponto me chamou a atenção entre os dois lugares: as mackenzistas e as faapianas.
Parecem ser a mesma coisa, mas não são. As faapianas, com seus Ray Bans originais, suas bolsas louis Vitton, desfilam pela Rua Alagoas, isso porque estacionaram seus New Beattles na frente da faculdade e precisam atravessar a rua. Elas não andam, flutuam. Sem falar dos seus cabelos escovados, unhas perfeitas, perfumes hipinotizantes, maquiagem sob medida para o horário. Quando um celular toca numa roda de amigas, cada uma saca o seu iPhone da bolsa. Ai, não é o meu. E enquanto uma atende, a outra conta detalhes da sua viagem pra Nova York na última temporada de férias e quanto deu seu excesso de bagagem, pois entupiu suas malas com muita roupa da 5ª avenue. A do telefone combina com alguém de ir ao Pink Elefant(entrada em torno de $100 a $250), logo mais a noite. São celebridades anônimas, onde poucas pessoas podem fazer parte do seu mundinho cor de rosa. Já as mackenzistas....
Elas andam e andam bem. Descem no ponto de ônibus da Consolação até o prédio da faculdade. O toque N95 Nokia é um The Strokes ou The Doors. Seus cabelos embaraçados, suas regatas básicas, mostram que sua aparência às vezes costuma ficar em segundo plano. Por que em primeiro vem o novo filme do Tarantino, a biografia do Eric Clapton e o show que o Nouvelle Vague vai fazer no Brasil em Abril(que eu tô louca pra ir...). Sentam na calçada pra beber cerveja barata, fumam um baseado como se estivessem fumando o último cigarro do maço(as faapianas se escondem pra fumar maconha). E depois de bêbadas, tornam-se as meninas mais descoladas e alternativas(pra não dizer das experiências gays).
Eu, sinceramente, sempre preferi as mackenzistas. Estão mais dentro do meu mundo. E na minha opinião, são muuuito mais bonitas e interessantes que as faapianas. Quem sabe um dia eu namore com uma?

segunda-feira, 15 de março de 2010

Ela é carioca


Eram 4 da manhã e eu ainda me perguntava o que eu estaria fazendo naquele ônibus em plena Dutra. Estava deixando meu medo de lado, arriscando, me jogando. Assim como eu fazia quando era mais nova. A cada kilômetro que eu avançava, o medo ia e a ansiedade de chegar vinha. Pra quê? Para encontra-la. Apenas para vê-la e voltar pra casa feliz.
Às 6 da manhã vi os primeiros Outdoors da cidade, com o seu ddd 21. Já estou no Rio. Fazia tempo que eu não me sentia tão livre, tão solta. Igual nos tempos em que eu viajava de carona pelo interior de São Paulo. Cansada, cheguei na rodoviária e fui direto para o albergue. Nervosa, lavei meu corpo com águas cariocas. Estava pronta para encontrá-la. De repente o medo veio, e veio forte. No celular li a mensagem: tô chegando aí. E como uma suicida de bicicleta ela desceu a Silveira Martins. Com cabelos ao vento, de vestido, cortando os carros, dominando a rua inteira. Pensei: meu Deus, é ela! E aquela menina parou na minha frente, freando com tudo, parando com tudo. Parando meu coração. Eu , tímidamente, disse um oi, não sabia o que dizer, o que fazer. A muito tempo ninguém me tirava do meu estado letárgico como ela me tirou. Queria passar horas olhando para aquela mocinha que me fez viajar 6 horas, abandonar a segurança do meu mundo. Mas não podia me delatar assim tão fácil. Tinha uma postura a zelar. Olhava para os prédios, para os carros, para as pessoas ainda respirando o carnaval. Menos pra ela. Em vão. Eu não era eu. E assim deixei que ela me guiasse, me levasse pra onde quisesse. Onde estão minhas forças? Sumiram naquelas esquinas desconhecidas. E pensar que um dia desejei morar naquela cidade, onde as pessoas pareciam ser mais felizes, menos apressadas, com a pele dourada, hibernando o ano inteiro, esperando fevereiro chegar. Será que ali eu seria feliz? Não sei. Só sei que naqueles dois dias eu iria ser feliz. Por que me doei, porque me permiti, sem esperar nada em trocar, sem criar expectativa. Em cada bar, em cada chopp, tinha uma pontinha de felicidade. E ao lado dela me senti protegida, tranquila. Sabia que não ia acontecer nada comigo. Porém, em algumas horas teria que voltar para minha vida 220W, e então uma tristeza fina e cortante tentava se escorar em mim. Resgistrava cada sorrigo largo, cheio, aquele sotaque rasgado. Era isso que eu iria levar comigo, era isso que eu iria lembrar na viagem de volta. E eu tinha que aproveitar.
Assim que nos despedimos, senti vontade de chorar. Não queria ir embora. Mas era preciso. Um pedacinho meu coração ficou em cada passo que eu dei, em cada pingo de chuva que me molhou. Foram dois dias em que eu dormi e sonhei com a cidade e com a garota que imaginei. E agora, o que faço? Continuo a procurar aquele sorriso fácil e dominante? Mas ele está lá. O jeito é vestir minha fantasia de conformada, aceitar sem questionar a impossibilidade de tê-lo um pouco mais perto. E lembrar que a vida tem dessas coisas. E se essa saudade insistir, é só lembrar que ela é carioca..

terça-feira, 9 de março de 2010

As fitas da minha vida


Em meados da década de 90, a cidade de macapá, no estado do Amapá, era apenas mais uma capital apêndice, onde a maior renda da população era o serviço público. E em segundo lugar, vinha uns gatos pingados comerciantes, que faziam a festa dos servidores do governo que não tinham onde gastar seu dinheiro.
Meus pais eram comerciantes, mas não muito afortunados, de fato. Cresci numa família classe média(para padrões amapaenses), estudando em escola pública, jogando bola na rua e empinando pipa com os garotos no asfalto. Porém, desde cedo a música fazia parte da minha vida. Capitando o que havia de melhor dos gostos musicais dos meus irmãos, comecei a moldar os meus. Ouvir pela primeira a vez a voz daquela mulher foi como se o céu se abrisse pra mim. Janis rasgou meus ouvidos como um cirugião. Diante daquele “tecladinho”, me deleitei ouvindo The Doors, sem falar naquele paulista com alma carioca, tímido de olhos verdes, que eu me apaixonei de cara. Chico pra mim era um deus que veio me trazer a palavra. Não tinha mais de onze anos de idade.
Entrando na adolescência, completamente dura em sem mesada dos pais(macapá não tem essa cultura de mesada. Pelo menos comigo e meus amigos não tinha), estava faminta por coisas novas. Mas como comprar cd numa cidade onde só tinha uma loja e ainda sim o preço era um absurdo? Em 1996, computador era coisa de rico, alto luxo. Gravadora de cd então, coisa de milionário. O jeito era partir para as fitas K-7. Com 10 reais eu comprava 7 fitas. A marca era TDK. A melhor que havia.
Saía em verdadeira peregrinação pelas casas dos amigos que tinham os cd’s das bandas que eu mais gostava. Ramones, Pearl Jam, Cranberries, Smashing Pumpkins, The Beatles, REM, Depeche Mode... Datilografava na minha velha máquina de escrever o nome da banda e do disco naquele “encarte” que vinha na fita. Tudo organizado. Às vezes rolava até um release na contra capa! Eram como filhas, morria de ciúmes se alguém pedisse alguma emprestada. Preguei até uma prateleira no meu quarto para deixá-las enfileiradas. E não tinha essa de pular música, tinha que escutar a fita inteira, porque batia uma preguiça ficar procurando a favorita, tinha que deixar rolar.
Agora com 25 anos, com dinheiro no banco, internet sem fio em casa, e vários gigas disponíveis, baixo todos os cd’s que quero(santo pirate bay), dentro de apenas alguns minutos. Tive que me desfazer daquelas que me acompanharam durante minha adolescência, quando saí de Macapá para morar em São Paulo, e que até dois anos atrás me distraíram durante minhas caminhadas noturnas pela Av. Paulista. Se sinto saudades? Melhor nem responder.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O último dos bárbaros



Nós, como seres humanos, como pais, mães, filhos e irmãos, recebemos a notícia do terremoto no Haiti com um pezar gigantesco e um sentimento de impotência. Milhares de pessoas estão passando fome, sem água potável, sem roupas, sem ter onde dormir. Nas ruas, o que se vê é uma mistura entre mortos e feridos, estes últimos sendo atendidos nas calçadas cobertas de terra e poeira.
E quando o mundo se deparou com a situação de completa destruíção daquele país, instantaneamente(ou quase), países de todos os continentes enviavam seus exércitos, grandes quantias para ajudar a reconstrução do país, mantimentos, e o que fosse necessário. Organizações não-governamentais de todos os lugares uniram forças na tentativa de amenisar o sofrimento daquele povo com um histórico cruel... Até bandas de rock, como Radiohead, estão fazendo show beneficiente para o Haiti. Ou seja, nessas horas você se pergunta até onde o mundo evoluiu em senso de humanidade, onde todos procuram fazer algo nessas situações.
Legal. Saímos de um filme de catástrofes climáticas, que não perde em nada para O dia depois de amanhã ou 2012, vamos agora para um filme de conspiração internacional ou divergências diplomáticas, que só hollywood sabe fazer. E na sua fórmula imbatível com mocinhos e vilões, eis que ele aparece mais uma vez para roubar a cena. E ele rouba mesmo. Estamos falando de quem? Claro que é dele, Hugo Chavez, o últimos dos bárbaros.
Enquanto as ajudas chegam, o dinheiro é enviado, voluntários desembarcam em Porto Príncipe, Hugo Chavez dá a seguinte declaração em sua tv de extimação: “o sismo do Haiti foi um claro resultado de um teste da Marinha americana" com "uma das suas armas de (provocar) terramotos".
Não precisamos mais entrar nos detalhes. Enredo pronto, com seus respectivos personagens. Não, isso não é filme. Mais de 150 mil pessoas morreram, e outras estão vivendo de forma desumana. E ainda sim, Hugo Chavez tenta voltar a atenção com seu discurso anti-imperalista mais que batido. Não que os Estados Unidos não tenham um histórico duvidoso, mas o que me incomoda é o fato de governantes como Chavez ainda existirem. Tão ultrapassados quanto a guerra fria e suas briguinhas de vizinhos.
A questão não é se os Estados Unidos ocuparam Porto Príncipe com seus soldados, porque o Brasil também enviou os seus. A questão é o que o pior ainda está por vir. O Haiti não possui contingente militar para impedir uma revolta por parte da população completamente faminta. Cuba também questiona essa movimentação militar americana em território haitiano. Fideu disse que, ao invés de soldados, cuba enviou médicos e que não sabe porque a ONU está em silêncio em relação a essa ocupação. Os esquerdistas conseguem levantar suposições em horas não apropriadas.
Continuo aqui, acompanhando todos os dias as notícias do Haiti, sendo mais uma brasileira a lamentar a catástrofe e desejando que o país se erga o mais rápido possível e tendo consciência que pessoas como Hugo Chavez estão com seus dias de melodrama contados.